O machismo das ruas cansa, mas cansa mais sofrer calada

E se o mundo fosse cheio de sapatão?

Se o mundo, se o mundo fosse cheio de sapatão

Seria a revolução

Revolução das sapatão

 

Mas o mundo, mas o mundo já é cheio de sapatão

Então é a revolução

Revolução das sapatão

 

Baseado em fatos reais e atuais:

1 – Você está dirigindo e vem um homem descuidado e bate na traseira do seu carro. Ele para com cara de “fiz merda”. Passa um sujeito de bicicleta, vê os carros batidos e solta: tinha que ser mulher!

Então você manda o sujeito ir a merda. Um lojista que viu o acidente, viu que a culpa foi de um homem, viu o rapaz da bicicleta ser machista em tom de voz muito exaltado grita: Não tinha nada que ficar xingando o cara, se fosse comigo…

 

2 – Então você está novamente dirigindo seu carro e passa por um veículo que seguia na pista lenta à sua direita.

Ele, então, acha que estão brincando de apostar corrida, mesmo com ele na pista lenta, mas depois de escolhas de mudança de faixa mal sucedidas ele segue atrás de você.

Quando, enfim, o pobre consegue te alcançar, com o ego másculo ferido de quem não sabe dirigir como uma mulher, ele te ultrapassa e grita: Tinha que ser sapatão!

Então faz um retorno que leva a crer que saiu de seu caminho para conseguir a ultrapassagem almejada.

 

3 – Daí você vai votar e nota uma propaganda política irregular em um veículo estacionado na porta da escola na qual você vota. Você questiona a pessoa que a fazia, mas ela não toma nenhuma atitude. Você conversa com o policial em serviço. A pessoa nota esta movimentação e se prepara para retirar o carro do local, o policial orienta sobre a propaganda e a pessoa sai. Ao passar por você o motorista grita: Vai arrumar um homem!

 

Isso significa que:

a) A gente precisa falar sobre o machismo, sobre lesbofobia, sobre bifobia.

b) Vale demais sair do conforto do espaço reservado em que usamos a internet e seguir pras ruas para empoderar nossas mulheres.

c) É preciso reagir a cada provocação machista.

d) Quando formos ofendidas por sermos mulheres vale voltar cantando Luana Hansen: “Sim, eu sou mulher e estou pronta pra lutar!” Se a agressão for lesbo ou bifóbica vale abrir aquele sorriso lindo, estufar o peito e dizer do orgulho de ser quem se é.

e) Todas as alternativas anteriores, seja do jeito que você der conta, apenas não baixe a cabeça e lembra que não está só.

Também significa que as ofensas ficam cada dia mais meigas quando a gente ressignifica o que nos é dito e se fortalece a cada enaltecimento de nossa mulheridade, bissexualidade ou lesbianidade.

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Bella Ramalho – militante lésbica do Coletivo BIL
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